[RESENHA] Crítica de "Antes que Eu Vá" - Lauren Oliver






Sinopse: Samantha Kingston tem tudo: o namorado mais cobiçado do universo, três amigas fantásticas e todos os privilégios no colégio que frequenta: desde a melhor mesa do refeitório à vaga mais bem-posicionada do estacionamento. Aquela sexta-feira, 12 de fevereiro, que seria apenas mais um dia de sua vida mágica e perfeita, acaba sendo seu último — mas ela ganha uma segunda chance. Sete “segundas chances”, na verdade. Ao reviver aquele dia vezes seguidas, Samantha vai tentar desvendar o mistério que envolve a própria morte – e, finalmente, descobrir o verdadeiro valor de tudo o que está prestes a perder.Para comemorar a chegada do filme ao cinema, essa edição especial conta com dois contos inéditos que exploram a vida de Samantha antes dos acontecimentos do livro, fotos de bastidores e uma entrevista da autora com a diretora e a protagonista do filme.Título Original: Before i Fall Autora: Lauren Oliver Editora: Intrínseca Páginas: 368 Ano: 2011 ISBN-10: 858057059X Nota pessoal: 3,7  Skoob (média): 4.1



R E S U M ÃO: 

          Samanta é uma jovem de 17 anos, mora em uma linda casa com os seus pais e sua irma mais nova, Izzy. Ela tem (quase) tudo que uma ex-nerd que se considera infeliz (daqueles típicos clichês norte-americanos) quer ter: um namorado cobiçado por muitas e as amigas mais populares do colégio. No entanto, nem sempre foi assim e esses motivos nós vamos descobrindo com o virar das páginas. E acredito que uma das coisas que mais atrai o leitor quando ele passa os seus lindos olhos pela sinopse de "Antes que Eu Vá", é a questão da Sam não ser mais um personagem escolar que almeja ser popular, nas que já está no auge. O que um personagem desses tem para contar, afinal? Muitas coisas, muitas histórias.

          Bom, o livro começa em uma sexta-feira 12 onde se comemora o Dia do Cupido. Sam e todos do colégio tratam o dia como algo sagrado. O porquê? Ai vai: quanto mais rosas você recebe mais significa o quanto é amável. Porém, algo da errado durante o dia e ao invés de acordar no dia seguinte, um sábado, ela repete o dia anterior, mas parece que só ela consegue notar esse loop diário— que no inicio ela interpreta como um dejavu, pois todas as outras pessoas agem como se fosse a primeira vez que estivessem vivendo o dia 12.

C R Í T I C A / P R O P O S T A

          Eu havia ficado chateada pela narrativa arrastada e pelas questões que — naquele momento pareciam importantes para o leitor, ma que acabaram ficando em aberto no fim. Então serei bem direta: se você está em busca de romance, de muita diversão e dessas histórias e descrições mais bonitinhas das relações, sinto muito, mas você não irá encontrar nesse livro. Lauren escreveu sobre a importância dos dias e de cada pessoa. Então entendi que na verdade os pontos não estavam sem nó, mas que a vida da gente não vai esperar a boa vontade da nossa parte para concertar as coisas que não fizemos antes e ela retrata isso na personagem da Sam. Se você quer ler sobre tais coisas, se joga porque vai gostar. Se não for isso, esqueça.

Lembro que quando inciei a leitura eu comecei a comparar bastante com os filmes e series norte-americanos, como: O Clube dos Cinco, As Vantagens de Ser Invisível e principalmente Meninas Malvadas. Fala muito sobre sexo só por fazer, perder a virgindade como se fosse algo obrigatório antes dos dezoito, pessoas consideradas "derrotadas" e o uso de drogas como se fosse tão importante como beber água. Tudo isso pelo olhar, não do nerd-esquisitão, mas da popular. E sinceramente? Eu senti tanta pena das pessoas que acham que é importante impressionar alguém para serem feliz. Ainda não consigo entender como alguns jovens desejam estar dentro de certos grupos sociaisquando está visível que são pessoas más. A Sam, por exemplo, tirava boas notas, era uma garota maravilhosa, mas por achar que era ruim ser vista nerd passou a fazer uso de drogas licitas por ser visto como algo essencial na vida de um jovem e deixou de falar com amigos que antes era bastante próxima. Tudo isso para ser aceita. Para mim, é como se ela estivesse vendido a vida dela para entrar no inferno, e não. Não estou sendo radical.

          Leiam esse livro, sabe? Não esperando um romance ou aventuras e coisas parecidas, mas é o tipo de história que te faz pensar em que tipo de ser humano você está sendo. A Lauren Oliver mostra isso através de cada um dos personagens: eles possuem suas próprias vidas fora da escola, têm famílias diferentes e personalidades, mas no fim estão todos inseridos no mesmo circulo social.


          Senti que é isso que a Lauren quis dizer a nós, principalmente os jovens: a que ponto você está disposto a chegar para ser aceito? Você abriria mão de si mesmo? Da sua personalidade e de quem você é, apenas para que outras pessoas — que para falar a verdade nem são boas — te aceitem? Aproveite a sua vida cara, com gente de verdade. Viva. Você não vai sentir quando for o seu último dia.




          Infelizmente a Sam percebe tarde demais que em algum momento da estrada de sua vida ela entrou em um beco. Quer dizer, as amigas da Samantha nem são amigas de verdade. Nem são boas pessoas. A Lidsay, Elody e a Ally são os tipos de garotas orgulhosas, egocêntricas e que costumam fazer papel de vilãs em outros livros e filmes. Ainda assim a Sam as considera amigas e desculpe-me se estou errada, mas eu não consigo entender isso. Não consigo ver como alguém pode ser amigo de outra pessoa quando o coloca para baixo. A Sam namora o cara por quem as garotas do primeiro ano vivem suspirando e venderiam a própria casa só para dançar (lê-se esfregar-se) com ele. Mas a própri personagem nem o ama. E ela sabe disso, mas ainda assim está com ele. Com isso, a Lauren mostra que nem sempre as pessoas estão feliz de verdade quando se exibem por ai. Acho que a Sam só estava com todas essas pessoas no final das contas porque ela tinha ao seu lado o que os outros desejavam. Mais um ponto aqui: a Sam não faz o tipo personagem boa que estamos acostumados a ler.

"— De quem são as outras rosas? — Sam.
— Da concorrência. — Rob."





N A R R A T I V A

          Arriscar escrever um livro onde os dias se repetem é algo muito arriscado já que as falas, as atitudes dos personagens somado a cada coisa que aconteceu antes irá se repetir; cada coisa que aconteceu no capítulo anterior irá acontecer no próximo. Acredito que ai você já tira uma ideia do quanto pode ser cansativo, certo? Apesar de a autora não repetir tudo ao pé da letra fica obvio que o leitor já sabe a ordem de cada acontecimento. Mas é exatamente ai que a personagem da Samantha entra: ocorreu não somente uma, mas várias coisas horríveis naquele dia e que ela precisa mudar. E até que ela perceba isso o leitor já tá seriamente pensando em ir assistir uma novela.

A repetição de fatos e de algumas falas sinceramente me deixaram cansada e entediada em todo o livro. A escrita da autora é boa, mas é rica em adjetivos e comparações e digamos que quando você quer muito chegar ao fim de um livro onde a história é repetitiva isso não ajuda em nada. Sem contar que eu começava a devanear nas comparações fwita pela Samantha, tentando imaginar a sensação e entender o que a personagem estava sentindo, então quando eu tentava continuar a leitura precisava retornar algumas linhas para lembrar-me de onde estava.

Mas apesar desse ponto negativo, se eu tivesse que esquecer a história e lê-la novamente eu aceitaria. "Antes que Eu Vá" de Lauren Oliver possui uma critica à toda a sociedade, a qual eu já havia notado nos primeiros capítulos, mas ainda assim era algo escondido. Uma crítica coberta. Essa obra não é uma moral sobre a vida particular da Sam, mas é necessário que o leitor veja pelo ângulo de todos os que estão presentes para que você possa entender um pouco do que a autora está nos passando.

"Estou ainda mais irritada do que deveria, por tudo: por ter sido abandonada por minhas amigas em apenas trinta segundos, por Rob estar completamente bêbado, por Kent ainda estar falando com Phobe Rifer, mesmo quando deveria ser obsessivamente apaixonado por mim." [pág. 50]

          Esse livro é contado pela Samantha em primeira pessoa e junto com ela repetimos o mesmo dia sete vezes, acompanhando a sua descoberta sobre as pessoas que antes ela nem enxergava: os excluídos, os que almoçam no banheiro; o cara popular, o ex-amigo de infância que não andam mais juntos justamente por ele não ser tão conhecido como ela é, entre outros coadjuvantes. Antes Que Eu Vá faz uma critica ao povo de um jeito disfarçado. Seria como uma daquelas músicas que evitavam ser barradas pela ditadura. Por fim, é um bom livro. A história em si e a sua forma de narrativa pode parecer diferente para alguns de nós, mas não devemos esperar por coisas iguais sempre, certo? Os personagens, os pontos de vistas e a sinceridade é tudo tão real. A Lauren Oliver parece levantar uma questão aos jovens: por que buscar por coisas fúteis? Ou os que o fazem buscar por isso? Se são as escolas, as festas, a liberdade mal administrada, etc. Só lendo mesmo para você poder ter uma noção do que estou escrevendo.

"Esse é outro aspecto sobre ser popular: não é preciso prestar atenção a quem presta atenção em você." [pág. 47]


"— Ei — Kent diz suavemente, fazendo meu coração planar outra vez com aquela voz, deixando meu corpo todo leve. — Agora não consigo vê-la. O rosto e o corpo dele são sombras completas, escuridão em escuridão. Posso identificar seus contornos, e, é claro, sentir o calor da sua pele. Inclino-me para a frente, passando o queixo na aspereza do veludo do casaco dele, encontrando a orelha, esbarrando nela acidentalmente com a minha boca. Ele inspira fluidamente, seu corpo inteiro fica tenso. Meus coração é fluido, está voando."

Obrigada pela visita e pela atenção de vocês.
Até o próximo post. ☕


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